AHA´s, vale a pena saber mais sobre o seu Mecanismo de Ação

AHA´s, vale a pena saber mais sobre o seu Mecanismo de Ação

O mecanismo de ação dos AHA´s ainda não é totalmente conhecido, mas sabe-se que é improvável que um receptor específico dos AHA´s esteja presente nas células da pele. Estes ácidos constituem uma classe de compostos que, quando são aplicados topicamente, produzem efeitos específicos sobre o estrato córneo, a epiderme, a papila dérmica e sobre os folículos pilosebáceos.

Teorias atuais sugerem que baixas concentrações de AHA´s agem somente sobre a epiderme causando descamação, plastificação e promoção de diferenciação na epiderme normal e que, concentrações elevadas de AHA´s agem na epiderme, e também na derme.

Foi demonstrado que baixas concentrações de AHA´s reduzem a coesão dos corneócitos do estrato córneo ou por interferir com a ligação iônica intercelular. Visto que as moléculas apresentando grupamento hidroxila têm tendência a formar associações por pontes de hidrogênio, ou pela suposição de que o pH ácido induzido nas camadas externas do estrato córneo, pelo tratamento com AHA´s durante várias horas, possa romper estruturas que mantêm as células epidérmicas unidas ou, ainda, por inibição enzimática, induzida pelos AHA´s, de reações da sulfato transferase, fosfotransferase e quinases, levando pouquíssimos grupamentos fosfato e sulfato eletronegativos para a camada externa de corneócitos resultando assim, na diminuição das forças de coesão.

Os AHA´s facilitam a descamação ou esfoliação o que resulta no aumento da síntese e do metabolismo do DNA basal, diminuindo a espessura do estrato córneo, pois ocorre um desprendimento dos corneócitos nas camadas inferiores e em formação do estrato córneo, imediatamente acima do estrato granuloso. Não há efeitos sobre as células de outras camadas. A localização deste efeito sugere que a ação dos AHA´s envolve um processo dinâmico sobre a cornificação que pode ser devido a modificação da ligação iônica, como foi proposto anteriormente.

Ainda em baixas concentrações, os AHA´s possuem um efeito plastificante sobre o estrato córneo agindo por adsorção aos grupamentos de cadeias queratínicas, sem aumentar o conteúdo de água. Um segundo mecanismo possível é o aumento da hidratação do estrato córneo através das propriedades umectantes dos AHA´s. Paralelamente a pele torna-se mais flexível e menos vulnerável a rachaduras superficiais da camada córnea, fragilidade cutânea e descamação por uma verdadeira melhora na elasticidade do estrato córneo. Este fato parece ocorrer por intermédio de um mecanismo diferente do que apenas a hidratação.

Uma diferenciação mais ordenada na epiderme com baixas concentrações de AHA´s foi demonstrada histologicamente, entretanto, o mecanismo não está esclarecido. Foi verificado que concentrações elevadas de AHA´s apresentam maior penetração, mas talvez menos efeitos específicos, causando epidermólise, separação de queratinócitos, também, efeitos na derme.

Dados experimentais sugerem que uma perturbação prolongada da integridade da barreira do estrato córneo pode causar os efeitos na derme, dentre os quais, destacam-se o aumento da biossíntese de glicosaminoglicanos e de outras substâncias fundamentais, de colágeno e possivelmente, de fibras elásticas. Foi demonstrado que o ácido ascórbico parece promover a síntese de colágeno na pele humana. Visto que, o ácido ascórbico é quimicamente derivado de um AHA´s – uma forma lactônica do ácido 2,4,5,6- tetra-hidróxi- 3-cetohexanóico – poder-se-ia inferir que os AHA´s também poderiam promover a síntese de colágeno. De acordo com SMITH, altas concentrações de AHA´s podem alterar diretamente a fisiologia da pele onde, a ação de enzimas com funções críticas, associadas à proliferação da pele, diferenciação ou reações inflamatórias, pode ser diretamente manipulada através de mudanças no pH.

INDICAÇÕES E EFICÁCIA DOS AHA´s
Os AHA´s em concentrações altas e baixas, em soluções, loções, cremes e géis constituem uma nova opção terapêutica para uma variedade de condições cutâneas incluindo acne, xerose, ictiose, verrugas, melasma, queratoses seborreica, facial e actínica, manchas senis e pele envelhecida.

Fonte:
Centro Científico & Técnico Samana: ALFA-HIDROXIÁCIDOS: APLICAÇÕES COSMÉTICAS E DERMATOLÓGICAS – Caderno de Farmácia, v. 15, n. 1, p. 7-14, 1999.